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Monday, September 15, 2008

Adorei Sidarta, de Herman Hesse: "Mas a mim me interessa exclusivamente que eu seja capaz de amar o mundo, de não sentir desprezo por ele, de não odiar nem a ele nem a mim mesmo, de contemplar a ele, a mim, a todas as criaturas com amor, admiração e reverência."

O próximo na fila foi presente de Anna e Renato para o Michael, "The Omnivore's Dilemma", de Michael Pollan.

Wednesday, September 10, 2008

Crônicas Marcianas

Terminei ontem de ler o Crônicas Marcianas, do Ray Bradbury. Este foi, sem dúvida, um dos melhores livros que já li, primeiro porque é completamente diferente do que eu imaginava (eu já tinha lido Fahrenheit 451 uns anos atrás) e segundo porque é bastante sociológico (bem, não sei porquê isso me surpreendeu, tendo em vista Fahrenheit 451...). Gostei da forma como ele aborda as questões colônia/colonizador, brancos/negros, e também como ele trata de forma crítica aspectos típicos da cultura americana: as casinhas revestidas de plástico, o descuido com o meio ambiente, o culto ao novo (tem até uma menção aos chineses e mexicanos como trabalhadores mal remunerados). Seguindo minha onda "livros curtos e leves", começo hoje com Sidarta, do Hermann Hesse.

Friday, September 05, 2008

Cem Dias Entre Céu e Mar

Terminei de ler o "Cem Dias Entre Céu e Mar" do Amyr Klink. Peguei esse livro na estante porque já estava cansada, assustada, não aguentava mais livros sobre bebês. Como dizem aqui, enough is enough. Então parti pra uma leitura light, em português para variar um pouco. "Cem Dias Entre Céu e Mar" conta a jornada que Klink fez, atravessando o Atlântico do Sul a remo. Sozinho, no barco que ele apelida de "lâmpada", ele sai de Luderitz, na Namíbia e rema, por 109 dias, até Salvador, na Bahia. A leitura é deliciosa pois Klink torna pequenos acontecimentos diários em momentos lindos e marcantes da jornada dele: a gaivota preta que o acompanhou por vários dias, o cardume de dourados que foram até a costa do Brasil ao lado da "lâmpada", a creche de baleias e até o cardápio do dia (4500 calorias/dia, afinal o homem remava o dia todo!), que às vezes era bem especial. Muito bom o livro.

Comecei ontem (e pretendo terminar hoje) "O Auto da Compadecida", peça teatral de Ariano Suassuna, cujo filme já tinha visto, mas resolvi ler mesmo assim. Mudando de assunto, esse fimdi vamos fazer um tour na maternidade - acho que vai ser bem útil saber exatamente onde ir no dia D. Falando em maternidade, recebemos a notícia que um casal de amigos muito querido vai ter um bebê em abril do ano que vem. Estamos muito felizes pois Chispita terá um(a) "primo(a)" da mesma idade! Digo primo pois o Michael é o terceiro filho da Regina, não é mesmo?

Sunday, March 23, 2008

Eat, Pray, Love

Comer, rezar, amar. Comecei a ler este livro bonitinho mas bem ordinário ontem à tarde. Ele fala sobre a jornada de uma mulher recém divorciada em busca de "tudo" (amor, iluminação, auto-conhecimento, auto-estima, paz) enquanto viaja pela Itália (eat), Índia (pray) e Indonésia (love).

A primeira coisa que se percebe é que são três letras "I". A segunda é que ele é um mix de auto-ajuda com uma narradora cuja prosa é sem sentido, auto-centrada e auto-comiserativa. Primeiro, a autora menciona que queria se divorciar, ela decide não entrar nos méritos da questão (afinal não é da nossa conta), mas resolve dar uma justificativa superficial do tipo: "eu tinha 30 anos e não queria filhos"! Conversa pra boi dormir. Depois, em um surto psicótico, ela escreve para Deus num papel e ele responde (com ela também escrevendo a resposta) no papel. Percebe-se, ainda no início do livro, que a sra. Gilbert é do tipo de pessoa que não tolera a hipótese de ficar sozinha, nem que seja por um breve período de tempo. Bem, sendo filha única, sou escolada no quesito 'ficar sozinha sem me sentir sozinha' e, pelo menos para mim, é muito difícil entender pessoas que preferem relações auto-destrutivas a ficarem em paz sozinhas (de acordo com uma amiga minha as palavras "paz" e "sozinha" não vão bem juntas).

As aventuras gastronômicas dela pela Itália são até interessantinhas, ela descreve (de novo, de forma superficial, pois tudo é superficial no livro) os pratos que come e que a fizeram ganhar - ou melhor, adquirir, pois peso não se ganha - 23 pounds em 4 meses. Mas é a capacidade que ela tem em insistir em se sentir miserável, mesmo tendo conseguido o que queria (se divorciar/ir estudar italiano na Itália/ganhar um baita adiantamento do livro que ia escrever, o que proporcionou a oportunidade de viajar nesses 3 países por 1 ano/morar num bairro chic em Roma, na companhia de pessoas interessantes/viajar pra tudo quanto é canto/fazer amigos) que me irrita mais profundamente. Ninguém merece.

Vou terminar o livro, mas não tenho qualquer ilusão de que os capítulos "pray" e "love" serão profundos ou elucidativos. Eat, Pray, Love é um bestseller que (espero) será esquecido no tempo.

Friday, December 07, 2007


Semana passada, conversando com uma amiga, resolvi desabafar e confessar meu estranhamento em relação a uma nova amiga iraniana. Meu estranhamento estava todo relacionado em primeiro lugar, obviamente, à minha ignorância; em segundo lugar, estranhava uma moça de 23 anos com um véu na cabeça, blusas de manga comprida, tapada (literalmente) dos pés à cabeça. E questionei (ainda na conversa via google chat com minha amiga) até o (mau?) gosto da iraniana, em querer ser nossa amiga, dado o background judaico e toda cultura sionista do Michael. "Ela gosta de você porquê você é legal", minha amiga falou. E me recomendou um livro, Persépolis, de Marjane Satrapi.

No mesmo dia, comprei o livro na Amazon e graças à eficiência do sistema de correios norte americano, o recebi no dia seguinte. A primeira sensação que temos, quando lendo Persépolis, é uma necessidade incontrolável de não parar de ler, seguida de um apaixonamento inevitável pela personagem principal, ela mesma, Marjane Satrapi. Filha de pais marxistas, bisneta de um dos últimos shahs do Irã, Marjani por lá nasceu e cresceu em meio à crescente opressão das liberdades civis em consequência da revolução cultural. Sua visão infantil (e depois adolescente rebelde) dos acontecimentos é no mínimo emocionante. As ilustrações, sempre num fundo preto, são simples e lindas. Persépolis é uma pérola que me tirou da total e completa ignorância: há mais na Pérsia que meros tapetes.

Thursday, November 15, 2007


Simple to Spectacular

Ont
em fiz as peras mais espetaculares do mundo. Há muito tempo o Michael comprou este livro, "Simple to Spectacular" (Jean-Georges Vongerichten & Mark Bittman) que nós nunca tínhamos usado até eu começar a dieta de glúten e começar a procurar receitas gostosas alternativas. Um dia frio quando ainda estávamos no Brasil fiz os "tomates assados com rúcula" deste livro e a receita não só era simples como também deliciosa e bonita. Então ontem procurei uma receita com peras (eu tinha comprado um monte no Costco sábado passado) e encontrei as "peras assadas com caramelo de vinho tinto". O resultado foi tão bom que não sobrou uma para contar a história... A receita (traduzida por mim!) segue:


Ingredientes:
4 peras (preferencialmente Anjou)
1 colher de sopa de manteiga, para a frigideira
1 favo de baunilha (eu não tinha, então não usei)
4 tiras de casa de limão
1 xícara + 4 colheres de chá de açúcar
suco de 1 limão
2/3 de copo de vinho tinto
1 colher de chá de vinagre balsâmico
1/4 de creme de leite fresco ou sour cream

1 - Aqueça o forno a 400 graus F. Retire as sementes das peras. Unte o fundo de uma frigideira (que possa ir ao forno) grande o sucifiente para caber as peras. Corte o favo de baunilha no sentido longitudinal e retire as sementes. Vire as peras de ponta cabeça e coloque uma tira de limão na cavidade de cada pera, juntamente com uma colher de chá de açúcar e um quarto das sementes de baunilha. Coloque as peras em pé e regue-as com o suco de limão. Cubra as peras com papel alumínio e asse por 10 minutos; elas vão enrugar um pouco, e a pele vai ficar dourada.

2 - Coloque o resto de açúcar (1 xícara) numa frigideira pesada e coloque no fogo médio. Cozinhe, balançando a frigideira e raspando os lados dela ocasionalmente (não mexa o açúcar derretido), até que o açúcar se liquifaça e fique escuro, cerca de 10 minutos. Desligue o fogo. Misture o vinho com 1/3 de copo de água. Se afaste da frigideira e adicione o líquido ao caramelo. Coloque de volta ao fogo médio e cozinhe, mexendo sempre, até o caramelo se dissolver. Despeje este líquido sobre as peras e coloque de volta no forno, desta vez descoberto, por 40 minutos.

3 - Cuidadosamente remova as peras da frigideira e coloque em 4 pratos. Cozinhe o líquido em fogo alto e reduza até que fiquem cerca de 2 colheres de sopa (eu tentei fazer isso mas queimei o líquido!!). Regue cada pera com um pouco deste xarope e 1/4 de colher de chá de vinagre balsâmico. Coloque uma colher de sopa de creme de leite fresco ou sour cream e sirva.

(Serve 4 pessoas / Leva cerca de 1 hora e não dá muito trabalho)

Wednesday, November 07, 2007

The Happiness Hypothesis

Estou lendo este livro fantástico que um amigo do Michael me emprestou, que explica cientificamente porque as pessoas são felizes (ou não). Baseado em pesquisas publicadas por colegas ou por ele mesmo (o autor, Jonathan Haidt, é psicólogo social), o livro mostra o que lá no fundo as pessoas pensam de si mesmas e dos outros, quais os mecanismos que utilizamos para o auto-engano ("so convenient a thing is it to be a reasonable creature, since it enables one to find or make a reason for every thing one has a mind to do" Ben Franklin), as teorias da reciprocidade humana (sabia que damos uma gorgeta maior quando o garçon ou garçonete nos imita?) e outras coisas que ainda não li. Mas o que adorei no livro é que ele não é entediante (confesso que achei que fosse ser), e o que o faz interessante mesmo é o fato de a leitura ser fácil e divertida por conta das descrições dos experimentos. Muitos destes experimentos relacionados ao comportamento humano podem ser feitos online no Project Implicit (vamos contribuir para a pesquisa sobre o Macaco Nu!). Os experimentos são selecionados randomicamente e têm assuntos muitas vezes inesperados como "a percepção das pessoas do que é alma" (eu fiz este), racismo, grupos multiculturais ou uniculturais, e duram em média 15 minutos para fazer.