Thursday, November 15, 2007


Simple to Spectacular

Ont
em fiz as peras mais espetaculares do mundo. Há muito tempo o Michael comprou este livro, "Simple to Spectacular" (Jean-Georges Vongerichten & Mark Bittman) que nós nunca tínhamos usado até eu começar a dieta de glúten e começar a procurar receitas gostosas alternativas. Um dia frio quando ainda estávamos no Brasil fiz os "tomates assados com rúcula" deste livro e a receita não só era simples como também deliciosa e bonita. Então ontem procurei uma receita com peras (eu tinha comprado um monte no Costco sábado passado) e encontrei as "peras assadas com caramelo de vinho tinto". O resultado foi tão bom que não sobrou uma para contar a história... A receita (traduzida por mim!) segue:


Ingredientes:
4 peras (preferencialmente Anjou)
1 colher de sopa de manteiga, para a frigideira
1 favo de baunilha (eu não tinha, então não usei)
4 tiras de casa de limão
1 xícara + 4 colheres de chá de açúcar
suco de 1 limão
2/3 de copo de vinho tinto
1 colher de chá de vinagre balsâmico
1/4 de creme de leite fresco ou sour cream

1 - Aqueça o forno a 400 graus F. Retire as sementes das peras. Unte o fundo de uma frigideira (que possa ir ao forno) grande o sucifiente para caber as peras. Corte o favo de baunilha no sentido longitudinal e retire as sementes. Vire as peras de ponta cabeça e coloque uma tira de limão na cavidade de cada pera, juntamente com uma colher de chá de açúcar e um quarto das sementes de baunilha. Coloque as peras em pé e regue-as com o suco de limão. Cubra as peras com papel alumínio e asse por 10 minutos; elas vão enrugar um pouco, e a pele vai ficar dourada.

2 - Coloque o resto de açúcar (1 xícara) numa frigideira pesada e coloque no fogo médio. Cozinhe, balançando a frigideira e raspando os lados dela ocasionalmente (não mexa o açúcar derretido), até que o açúcar se liquifaça e fique escuro, cerca de 10 minutos. Desligue o fogo. Misture o vinho com 1/3 de copo de água. Se afaste da frigideira e adicione o líquido ao caramelo. Coloque de volta ao fogo médio e cozinhe, mexendo sempre, até o caramelo se dissolver. Despeje este líquido sobre as peras e coloque de volta no forno, desta vez descoberto, por 40 minutos.

3 - Cuidadosamente remova as peras da frigideira e coloque em 4 pratos. Cozinhe o líquido em fogo alto e reduza até que fiquem cerca de 2 colheres de sopa (eu tentei fazer isso mas queimei o líquido!!). Regue cada pera com um pouco deste xarope e 1/4 de colher de chá de vinagre balsâmico. Coloque uma colher de sopa de creme de leite fresco ou sour cream e sirva.

(Serve 4 pessoas / Leva cerca de 1 hora e não dá muito trabalho)

Monday, November 12, 2007


Bonsais no Arboretum

Esse foi um fim de semana bem agitado! A começar por sexta passada, fomos jantar na casa dos chefes do Michael, uma delícia de jantar, com pizzas preparadas pela própria Sue, tudo muito gostoso e a companhia não podia ser melhor. Sábado passamos o dia aproveitando o carro alugado - fazendo compras de supermercado e correndo pra lá e prá cá - e à noite fomos ao teatro ver a peça de um amigo da Camila, chamada "Petri Dish Circus", que só acabou no Oriental East, pra lá de meia-noite. Na volta, fomos parados pela polícia para experienciarmos, pela primeira vez na história das nossas vidas... a clemência de uma policial (que, apesar de o Michael ter virado à direita no sinal vermelho - onde tinha uma placa dizendo que isso era proibido - e de eu ter tirado o registration de dentro do carro - ou seja: tínhamos license mas não registration! Duas multas em potencial! - a oficial disse que tinha "esquecido" o bloquinho de multas em casa...). Foi simplesmente emocionante, todos no carro (os 5) bateram palmas para ela!

Ufa! Domingo de manhã cedo, logo antes de irmos ao Arboretum ver os Bonsais, caí para fora da banheira, um tombo ridículo mas mesmo assim extremamente dolorido. Então era sabão para todo lado, água também e o Muffin veio correndo ver o que tinha acontecido, mas toda vez que ele chegava perto da água, recuava assustado. Recuperada (mas cheia de hematomas), fomos no National Arboretum, um lugar muito lindo e tranquilo com jardim de ervas, bonsais centenários, lagos e paisagens maravilhosas. No passeio percebemos que o Muffin não estava muito ativo nem interessado (apesar de estar super bem agasalhado), no fim das contas descobrimos que ele estava com estresse por causa do meu tombo. O amor é mesmo lindo, não é verdade?

Friday, November 09, 2007


Não sei se o Paul Potts virou fenômeno mundial, mas estava assistindo o programa da Oprah outro dia e fiquei apaixonada pela história dele. Vale a pena ir no You Tube e conferir, o vídeo é lindo e a voz dele simplismente maravilhosa:

http://www.youtube.com/watch?v=1k08yxu57NA
Algumas diferenças cruciais...

Na última quarta-feira foi anunciada a descoberta de um esquema de corrupção no D.C. Office of Tax and Revenue, envolvendo várias pessoas e a soma de 16 milhões de dólares (ontem essa quantia subiu para $20).
O interessante é que nada disso me assombrou. A princípio, vendo o noticiário na tv, pensei: só isso? É que estou mal acostumada, as fraudes no Brasil sempre giram em torno das centenas de milhões ou alguns bilhões. Outra coisa que me matou de inveja foi a forma em que essas pessoas foram pegas: uma das cabeças do esquema (eram todos funcionários do Office of Tax and Revenue) estava depositando um cheque de 400 mil (sendo que o salário anual dela era de 80...) e o moço do banco desconfiou, uma vez que esta pessoa não conseguiu provar de onde este dinheiro estava vindo. Bastou um telefonema (do banco) para o FBI que as investigações começaram. E voilà: um bando de gente já foi parar no banco dos réus, alguns estão até exibindo aquela tornozeleira que a Paris Hilton tranformou em "fashionable" (sooo hot). Outra coisa interessantíssima foi ver o tesoureiro da cidade explicar como que ninguém tinha percebido este dinheiro desaparecer. Aqui as pessoas têm que se explicar publicamente ou então... cortam-lhe a cabeça!!

Ok, eu preciso de um "food stylist", mas aí vai a foto do pão de cranberry. Mmmm... muito gostoso!

Wednesday, November 07, 2007

The Happiness Hypothesis

Estou lendo este livro fantástico que um amigo do Michael me emprestou, que explica cientificamente porque as pessoas são felizes (ou não). Baseado em pesquisas publicadas por colegas ou por ele mesmo (o autor, Jonathan Haidt, é psicólogo social), o livro mostra o que lá no fundo as pessoas pensam de si mesmas e dos outros, quais os mecanismos que utilizamos para o auto-engano ("so convenient a thing is it to be a reasonable creature, since it enables one to find or make a reason for every thing one has a mind to do" Ben Franklin), as teorias da reciprocidade humana (sabia que damos uma gorgeta maior quando o garçon ou garçonete nos imita?) e outras coisas que ainda não li. Mas o que adorei no livro é que ele não é entediante (confesso que achei que fosse ser), e o que o faz interessante mesmo é o fato de a leitura ser fácil e divertida por conta das descrições dos experimentos. Muitos destes experimentos relacionados ao comportamento humano podem ser feitos online no Project Implicit (vamos contribuir para a pesquisa sobre o Macaco Nu!). Os experimentos são selecionados randomicamente e têm assuntos muitas vezes inesperados como "a percepção das pessoas do que é alma" (eu fiz este), racismo, grupos multiculturais ou uniculturais, e duram em média 15 minutos para fazer.
Desde que o Browninho se foi, minha mãe me fala para comprar uma almofadinha que tivesse um "coração" batendo dentro, para o Muffin não se sentir tão só (é que os dois dormiam sempre juntinhos). Agora descobri que elas existem (eu quero!) e são lindas ainda por cima! Feitas à mão, são série limitada da My Beating Heart.

Monday, November 05, 2007


Amei esse alfabeto da Inhabitat.

Fall Back


Começa uma nova semana e o horário de verão terminou por aqui. Agora estamos 3 horas atrás do horário de verão brasileiro, o que significa que as 5 da tarde já vai estar bem escuro por aqui. Sábado tivemos visitas e eu tive que usar parte das cranberrys frescas que comprei (num ímpeto) no supermercado e depois fiquei me perguntando o que fazer com elas. Primeiro, fiz cranberry sauce (água + açúcar + canela + cravo + cranberrys, quando as cranberrys estouram, estão cozidas). Como não consegui me livrar nem da metade delas, fiz pão de cranberry na máquina de pão mesmo: usei a receita do pão francês (na minha máquina, o programa 12) e como a fruta solta bastante água, fui colocando farinha até chegar no ponto certo. Ficou ótimo! Até tirei uma foto do produto final (lindo!), mas o Michael levou a câmera para a Filadélfia. Fica pra depois. O legal de cranberrys é testar se elas estão boas para o consumo. Se você solta uma na bancada da cozinha (por exemplo, mas acho que é definitivamente o melhor lugar pra fazer esse teste) e ela kica (como se escreve kica??), quer dizer que ela está ótima. Do contrário, jogue fora. Voilà!

Friday, November 02, 2007


Um sonho... Uma gingerbread house moderna e 100% comestível! Uma pena que aqui em casa não curtimos gingerbread, mas que ela é linda é.

2008

Particularmente ainda acho meio cedo, mas me encontro fazendo planos para 2008. Como sou estrangeira, tudo relativo à minha vida (estudo, trabalho) leva tempo. Primeiro, porque meu visto de trabalho ainda demora alguns meses e segundo porque qualquer curso começa na próxima primavera, se este for o caso. Já estamos em novembro, isso é ótimo, mas para quem não trabalha nem estuda e nem tem amigas para ajudarem a passar o tempo, os dias demoram a passar. Espero que isso também seja passageiro.

Todo ano faço uma lista de metas a serem atingidas. São metas subdivididas em "profissionais", "familiares", "financeiras" e "pessoais". E ao longo do ano vou conferindo (pra relembrar e tentar manter o foco) as que consegui - adoro riscar da lista! - as que ainda dão tempo e as que interessantemente, não quero mais. Então revisando as metas desse ano, vi que consegui várias: eu queria trabalhar na Cultura e de fato consegui o emprego (mas não pude aceitar pois decidimos vir para cá), o CPE, consegui perder os quilos extra que estavam me consumindo, conseguimos trocar de apartamento (tudo bem que foi uma troca radical de vizinhança!)... É muito bom fazer isso, eu recomendo.

Por fim, termino o ano tentando decidir as minhas metas para 2008; encontrar um jeito legal de preencher meus trezentos e sessenta e poucos dias de forma produtiva e instigante. Além disso, quero uma amiga pertinho, só para conversar de quando em vez; uma companhia para o Muffin - ele também merece! - e muitos papers publicados para o Michael.

*calendário de pano Lotta Jansdotter.

Thursday, November 01, 2007



O máximo esse "Flying Carpet". Encontrei enquanto passeava nos tapetes da Coliseum Shop. Não custa sonhar, não é mesmo?


Burritos grátis, ratos no banheiro

Ontem foi o "dia nacional do burrito grátis" no Chipotle. E como era também halloween, quem se dispusesse a se vestir de burrito (muita gente se enrola em papel alumínio - uma coisa linda - mas qualquer adereço - "gravatinha", "coroa", "chapéu" - também em papel alumínio resolve) ganhava um burrito inteiramente grátis, livre até de taxas. Como eu só tive um "trick or treater" ontem à noite (decepcionante, devo admitir), reservei nossos burritos online (resolvi que sou "geração wii" agora) e fomos lá buscar. A fila era gigantesca, claro, e o burrito estava ótimo, como sempre. Foi no mínimo uma experiência antropológica.

Agora para a experiência antropológica do Muffin: esta manhã ele encontrou um buraquinho no armário do banheiro. Não é bem um "buraquinho" em si, mas sim uma falha do marceneiro (ou quem quer que seja que tenha feito o armário) em colocar uma ripa de madeira do tamanho certo e acabar por deixar um espaço aberto - que ninguém que não tenha um furão seria capaz de encontrar - levando para a parte debaixo do armário (entre o fundo e o chão). De qualquer forma, saí do banho esta manhã e ouvi uns "quiquiqui" dentro do armário do banheiro. Parecia até o barulhinho que os brinquedinhos do Muffin fazem quando a gente aperta. Eu imediatamente pensei que ele tinha dado um jeito de entrar no armário e tinha resolvido guardar os brinquedos dele lá (ele é cheio de manias). De repente ouço o Muffin arranhando a madeira do armário, mas de novo, abro o armário e ele não está lá! Entrei em pânico (me senti no filme Poltergeist com meu filho preso numa outra dimensão!!) e abri todas as portas, procurando e procurando quando ouvi mais "quiquiquis" (e me dei conta que podiam ser ratos) e ele saiu correndo de dentro do buraco (só aí que eu vi onde o tal ficava). Depois de o Muffin ter saído de lá, continuei ouvindo os "quiquiqui" (provavelmente o Muffin deixou os ratos em pânico), catei o Muffin (morrendo de nojo) e saí correndo atrás do zelador!

O engraçado é que nunca encontrei cocô de rato no chão do apartamento (será que essa é uma ninhada nova?) nem nunca vi tais criaturas por aqui (será que aqui é onde eles passam a noite?). Diz a lenda que onde tem furão não tem rato (isso serve pra raposas também), logo não entendo como esses (se é que eles realmente existem) resistiram. Outra constatação é o que o Muffin não passa de um pastel, tudo que ele fez foi arregalar os olhinhos pretos e correr pra caminha dele. Ninguém merece.

~~

PS: O zelador está aqui fechando o buraco e ele jura que não tem ratos lá dentro. Tá bom então.

Wednesday, October 31, 2007


Amei este cartão! É exatamente assim que devemos nos sentir perto das pessoas que mais gostamos. Acho inclusive que deveriam lançar um destes com uma patinha, no lugar de uma das mãos, porque os animais são tão "easy to be around"...

Falando neles, hoje comprei um clicker para começar a tentar treinar o Muffin a fazer certos truques. Não que ele não seja inteligente (ele é bastante, considerando o tamanho do cérebro) mas ele definitivamente precisa de um pouco mais de ação na vida dele -- acho que talvez a mãe dele é que precise, mas vou deixar isso para o analista. Não sei porquê o clicker não pegou no Brasil. Talvez seja porque ninguém se dá o trabalho de treinar o cachorro e pouquíssimas pessoas (como João e Anita, por exemplo) fazem questão de ter um animal treinado (bem, a grande maioria nem sequer recolhe o que os cachorros fazem na rua... de repente você está andando e xi, pisei!). Eu realmente não entendo isso, bichos treinados dão tão menos trabalho! Mas enfim.

Ontem o Michael resolveu que gostaria sim de ir ao show do Caetano Veloso no próximo domingo. Pena que quando fui comprar os ingressos, já estavam sold out. Olhando para trás, eu tive mais de um mês pra comprar mas fiquei esperando pela decisão dele. Ele queria mais companhia, já que não curte tanto o Caetano assim. Mas esperei demais e acho que subestimei a fama do Caetano (ou a quantidade de brasileiros em Washington). O que quer que seja, fiquei frustrada. :-(

Tuesday, October 30, 2007

Lindo!
(http://decor8.blogspot.com)

Sunday, October 28, 2007



Versa X Scion

Ontem passamos o dia procurando carros para comprar. A princípio achamos que não iríamos precisar, mas em vista dos ocorridos nas últimas semanas, resolvemos que um carro vai nos servir bem.

A Saga

Começamos 1 da tarde ontem (sábado), olhando primeiro usados. Uns dez carros depois -- resistindo à labia do vendedor de tentar nos empurrar carros muito americanos (como os Ford Taurus e um Caliber) -- encontramos um até interessante, um Jetta 2007 com 28 mil milhas que pertencia a uma Locadora de Carros. Hummm... carros de locadora costumam vir meio "limados", como diria o Michael. Preço não tão razoável (pois o carro é europeu e tudo europeu aqui é chic), mas foi o melhor até então.

Fomos na Honda olhar os Fit e os Civic. Primeiro, os Honda depreciam muito lentamente e por isso um novo ou usado têm preços bem semelhantes (alguns usados saem até mais caros que novos, mas tudo depende do modelo -- eu particularmente prefiro os com cheirinho de carro novo!). Os Civic com os opcionais desejados estavam fora do nosso budget e o Fit era bonitinho mas caro para o que era.

A terceira parada então foi a Toyota. Lá conhecemos o Yaris e o Scion (uma divisão da Toyota -- como o Lexus -- mas voltado para um público diferente, a "geração wii", segundo eles). Adoramos o Scion XD (o vermelhinho), demos uma voltinha e ficamos bem impressionados. Talvez o ruído interno do motor tenha sido meio alto pro nosso gosto, mas o vendedor disse que era proposital... Completo, o carro tinha o mesmo preço do Jetta usado.

Quarta e última do dia: Nissan. Na Nissan vimos o Versa hatchback (o cinza acima): lindo, lembra um pouco o Estilo da Fiat. Amei, o carro não precisa de chaves (nem para abrir e nem para ligar a ignição), basta que a chave esteja próxima dele. Saímos da loja depois de 10 horas da noite, sem comprar -- não se compra carro na primeira visita.

O Financiamento

Aqui é praxis financiar bens como automóveis e imóveis. É interessante financiar as coisas para poder construir "história de crédito". Ou seja: mesmo que você possa pagar à vista, é bom financiar uma parte para os bancos verem que você é bom pagador etc e tal. Os financiamentos podem ter juros baixos ou altos, tudo vai depender de como é a sua história de crédito; se você é estudante você consegue um bom financiamento também.

Os dealers

Na Toyota os vendedores foram simpáticos e se esforçaram para nós conseguirmos juros (APR) baixos na nossa compra. Na Nissan eles ficaram nervosos com os nossos esforços em tentar abaixar os juros (+ o preço do carro pois eles decidiram cobrar 2 mil extra de ágio sobre o valor total do carro) e quando pressionados... pararam as negociações e apelaram: "go to Toyota then!"

Decisão tomada - Domingo

O Versa era o meu preferido até a má negociação com a Nissan esta tarde. A loja da Nissan (Darcars) mais parecia uma filial da máfia dos filmes da década de 70, enquanto que a Toyota era não só muito mais eficiente como também limpa nas negociações. A Nissan não aceitou encomendar um carro customizado para nós e fizeram todos esforços possíveis para nos empurrar o carro do pátio que nós explicitamente não queríamos. Além disso, o vendedor -- sabendo que não iríamos comprar o carro -- nos mandou para o financeiro com a mensagem que nós estávamos sim comprando o carro.

Conclusão

Versa montado no México, Scion montado no Japão. Mafiosos versus profissionais. Fiquei com o segundo e ainda postei um review da Nissan no Edmond's -- o site referência de preços de carros e dealers daqui.

Friday, October 26, 2007


Roooooomba!

Estávamos em Brasília com o João e a Anita em agosto e o João pediu que mandássemos um roomba pra ele quando voltássemos. "Um roomba? O que é isso?". "É aquele robô que limpa o chão pra você!". Quando chegamos no novo apartamento, muito bonitinho e agradável, constatamos a triste realidade: os armários eram tão pequenos, mal cabiam as roupas (as malas tiveram que ser distribuídas nos armários e embaixo da cama), quanto mais um aspirador de pó! Aí que a ficha caiu -- que coisa mais retrógrada -- e lembramos do robô que o Girino queria.

Compramos pela internet, onde o Michael arrumou um desconto com um cupom online. Depois de uma semana de espera e mais 18 horas carregando na tomada... o roomba é simplesmente fantástico! Não tenho queixas apesar de ele às vezes encontrar dificuldade em voltar para a base. Nós também não "ajudamos", ele mora embaixo de um dos sofás da sala (menos coisa nos armários -- modernérrimo!), com vários percalços para chegar até lá. Claro que quando vemos ele correndo pelo apartamento como uma galinha sem cabeça tentanto chegar na base, nós acabamos dando uma mãozinha e levantando a poltrona pra ele passar com mais facilidade. Resultado: o roomba trabalha praticamente todos os dias -- ou seja, o apartamento está sempre limpo -- e com um mínimo de esforço da minha parte. Como diria o Homer (Simpson): eight thumbs up! Detalhe para os que têm animais de estimação: o roomba acaba virando brinquedo para eles. E é hilário.

Tuesday, October 23, 2007

De volta à rotina

Depois de um mês aqui decidi que seria interessante procurar algumas coisas para gastar meu precioso tempo. Ano passado fui voluntária em duas pré-escolas 3 vezes por semana. Agora que chegamos uma amiga de uma das escolas me perguntou se eu iria voluntariar de novo lá. Naaaaa... prefiro fazer alguma coisa que realmente vá fazer alguma diferença no mundo. Afinal, doar meu trabalho para instituições privadas que já cobram uma fortuna dos pais das crianças não é sinônimo de "small footprints".

Comprei a Washingtonian desta semana, convenientemente intitulada "60 Terrific Companies and Nonprofits" para ver se tinha algo interessante e encontrei a Food & Friends, que provê refeições ou compras de supermercado para aidéticos ou pessoas com doenças terminais. Mas o que mais gostei é que você pode escolher a atividade que prefere fazer: cozinhar, fazer as compras de supermercado, entregar a comida ou trabalho de escritório. Eu preferi ir para a cozinha (são turnos de apenas 3 horas) e você não precisa ser chef para trabalhar lá.

Outra coisa que me interessou e para a qual também me inscrevi, foi o Humane Society de Rockville, onde me inscrevi para trabalhar de fotógrafa (de novo, você não precisa ser profissional) tirando fotos dos animais para colocar no website deles. As fotos têm que ser legais para ganharem o coração dos futuros donos, imagina que bonitinho! Tomara que eu encontre uma noiva para o Muffin por lá.

Por fim, minha outra opção (estou disposta a fazer as 3 coisas pra falar a verdade) é trabalhar na ADL, a Anti-Defamation Leage. Como estrangeira, é muito difícil ver as passeatas anti-imigrantes e estrangeiros que às vezes rolam por aqui.

Terminando, o Muffin teve uma crise de regressão esta noite e voltou à primeiríssima infância, quando a criança não deixa ninguém dormir. O objetivo dele era claro: brincar às 3 da manhã. Conclusão, ele agora dorme de boca aberta enquanto nós passamos o dia bocejando. Minha vingança será maligna e nosso passeio matutino hoje durou 1 hora. Quero ver ele aguentar o segundo passeio esta noite, hehehe.

Friday, October 19, 2007















Vida Nova, Blog Novo


O meu tão negligenciado blog ganhou cara nova e nome novo. Tudo porque eu também estou de casa nova em um novo país etecétera e tal. Se alguém tiver interesse, posso até narrar a saga que foi chegar até aqui, mas só se os interessados se manifestarem (por skype também posso contar) pois a história é comprida. (Aliás, uma amiga minha daqui falou que vai gravar a gente contando a história -- igual o Kenji fez, imortalizando meu trauma numa madrugada em frente à casa do Xuxu ano passado -- e mandar para um programa de rádio que transmite esse tipo de narrativas malucas e verídicas uma vez por semana. Se rolar eu aviso.)

As novidades seguem: Tivemos visitas -- foi ótimo! -- e para fechar a semana o Michael foi atropelado. No fim, tudo bem, nada quebrado, mas o estrago foi fatal para a bicicleta.

Completamos um mês aqui e hoje fui organizar minha bolsa (i.e. a típica bolsa feminina que visa a criação da vida por meio do caos) que, com essa loucura toda estava cheia de papeizinhos: embalagens de bandaids, recibinhos etc. Enfim, esvaziei a bolsa toda e virei ela do avesso para tirar a sujeira quando ouvi: tlin tlin tlin! Olhei dentro: NADA. E sacudi: tlin tlin tlin tlin! Pensei... genteeeeee.... quando fui ver, tinha um furinho de uns 4 cm no bolso interno da bolsa. Enfiei meu dedo médio dentro e consegui puxar um baton desaparecido há meses! Puxei outra coisa: um gloss fantástico sumido há quase um ano! Puxei mais: as chaves da casa da minha mãe!!!! Estão aqui! (hahaha) -- Tinha ate mais coisa dentro... moedas do Brasil, prendedores de cabelo mil, grampos... Dei azar em não achar um furão novo dentro.

Falando em furão, o Girino encontrou um quadrinho muito legal ontem...

Sem mais por hoje, até a próxima!

Tuesday, May 22, 2007

O saco que deve ser viajar sozinha

Bem, como eu disse acima, deve ser um saco viajar sozinha. É claro, já viajei sozinha, mas sempre tive companhia no destino final. Nunca tive que ficar na piscina do hotel ou tomar café da manhã desacompanhada. Até que hoje, pela primeira vez, fiz isso. Tomei café com o Michael, mas logo depois ele foi para o congresso (SBBQ) e eu fui para a piscina. Sozinha. Até aí tudo bem. Levei meus livros e deitei, sob o lindo sol da Bahia, com vista para o mar azul, o que mais que eu poderia querer?

Antes de mais nada, gostaria de dizer que nem por um nanosegundo desviei meu olhar do meu livro. Isto posto, continuo a narrativa: Escuto, lá longe, um "señorita! señorita!". Obviamente pensei que não era comigo (eu não trabalho aqui!). E continuou: "señorita, eres de Salbador?... ei, señorita!". Olhei para a esquerda, não, sou do Sul. Ai, que erro... que besteira... devia ter fingido de surda. Daí a meia hora de "conversa unilateral" jogada fora em portunhol, recebi o primeiro convite para almoçar. Pelo discurso anterior, estava claro que o almoço era eu. Socorro. Comecei a ficar ansiosa, olhei em volta, ninguém iria me ajudar (e também já sou grandinha, já devia saber me defender). Agradeci o convite e disse que voltaria a ler. Então ouço em tom jocoso "que estudiosa eres!!". Meu sangue subiu. Não encontrei resposta, continuei lendo. "O que quieres comer? En que habitación estas?". O sujeito não tinha desconfiômetro nenhum!

Comecei a me vestir - e o sol estava ótimo - e a guardar minhas coisas - a piscina estava cheia, a água devia estar uma delícia - e na primeira chance que tive (quando ele sumiu, provavelmente para ir ao banheiro), fugi para o quarto. (Bem, aqui estou, na internet). Acontece que não consigo deixar de pensar o quão idiota eu sou. Tenho 29 anos e a única coisa que consigo fazer, além de dizer 5 nãos seguidos é fugir e me contentar em apreciar o sol, a piscina e o lindo mar pela janela do meu quarto de hotel.

Voltando à questão, ao assunto deste post: será que homens encontram dificuldades em viajar sozinhos? Resolvi pesquisar o assunto na net e descobri sites com dicas para viajantes solitárias: "o que é uma conversa à toa para você pode ser um convite para o sexo para outros", ou mesmo "não tenha medo de ser rude se o homem for muito persistente" e até "mesmo se for solteira, use uma aliança de casamento". Não sei porquê, mas imagino que um viajante do sexo masculino não tenha que se preocupar com esse tipo de coisa. Sozinho em uma piscina de hotel ele pode ser um executivo a trabalho aproveitando uma manhã livre. Já as mulheres sozinhas...

Monday, April 23, 2007

Dia 10 -

"Vimos a tal opera de Cantao e a musica e as fantasias eram muito interessantes. So nao ficamos ate o final porque acho que 1:30h de show cumpriu a funcao que queriamos. Como nao entendia nada que falavam pude prestar atencao e outros detalhes como por exemplo a coreografia, roupas, maquiagem e os movimentos das maos. As roupas eram muiiiito legais e como a maior parte dos personagens usavam mangas largas (muuuuuuuito largas) os atores prestavam bastante atencao na posicao das maos e consequentemente das mangas. As posicoes eram coreografadas de forma que cada ator ficasse sempre em posicoesmuito bonitas e as roupas esticadas (eles seguram a manga de um ladocom a mao contra-lateral e prende a manga ipsi-lateral com a mao domesmo lado). Enfim, parece que a coisa e muito complicada de memorizar e como a opera dura 3:30h os artistas devem ser todos genios! O teatroficava num super centro de artes a beira mar e do passeio pudemos ver a vista noturna de Hong Kong (o teatro ficava numa outra ilha chamada Kowloon)."

Para quem ficou, o feriado foi ótimo. Dormi horrores e vi um filme excelente chamado "Segredos de um Escândalo".

Saturday, April 21, 2007

8o. Dia -
Outra coisa que vimos ontem foi um suuuuuper mercado central (uns 8 quarteiroes de tamanho) que vende de tudo. Nos tiramos um monte de fotos mas eu acho que o mercado deles nao e para os fracos de estomago. Entre as varias coisas vendidas por la encontramos escorpioes vivos de todas as especies imaginaveis, todos os tipos de tartarugas (i.e. comida para eles), cobras (vivas), lagartixas,baratas, cigarras, cobras, centopeias, chifres, milhares de cogumelos (tudo isso seco). O mercado e considerado "insolito" segundo meu guia e e possivel observar os chineses abatendo animais e slaughtering em plena luz do dia. Alem deste mercado nos ja fomos em milhares de shoppings "oi" (em todos os lugares) onde e possivel comprar qualquer eletronico por uma fracao do preco dai ou de lojas normais. Outras coisas que visitamos nos ultimos dias foram a tumba de um imperador/museu que foi razoavelmente interessante e um parque com um monumento comemorando o primeiro presidente Chines (em 1912) com um predio/sala de concertos para mais de 3000 pessoas. O predio e todo em estilo chines e o parque muito bonito (tirei muitas fotos).

Comi uma maravilhosa paella de almoço. A família da Dê está definitivamente me alimentando muito bem.

Thursday, April 19, 2007

Dia 7 -

Os chineses são muito cordiais e prestativos mas eles não
entendem patavinas do que a gente fala. Para piorar, a maior parte não
lê caracteres ocidentais também....


No mais tudo ótimo. Parei de imaginar o Michael de roupinha (rather fashionable) a la Mao e agora o imagino andando pra lá e pra cá com cara de turista. Aqui no Brasil está tudo ótimo. Estou amando a temperatura e Muffin e eu temos dormido de edredon e cobertor. Haja frio!

Wednesday, April 18, 2007

Dia 6 -

Após muitos dias (e muitos telefonemas nervosos), a companhia de ônibus encontrou as malas. Hoje eles estavam por conta de comprar encomendas e comer dim sums. (Bem, eu gostaria de fazer um adendozinho: confesso que estava achando o máximo os dois estarem sem mala e terem tido que comprar roupas chinesas. Não tinha como conter meu riso imaginando os dois de uniformezinho verde a la Mao... e chapeuzinho também... ai, ai.)

Consegui encontrar umas coisas para comer no freezer e por isso me virei até bem nesse almoço. Meu pai levou meu carro no mecânico comigo e estou com o carro do Michael -- super conveniente, mas sem música.

Tuesday, April 17, 2007

Dia 5 -

Aparentemente as malas dos dois (Michael e Marcelo) foram extraviadas. Além disso, eles não têm conseguido fazer ligações internacionais (nenhum telefone do hotel faz esse tipo de ligação) e quando conseguem, tudo que se ouve é um sinal de fax. Eles estão com as pernas doloridas de tanto andar e até agora tudo que conseguiram ver foi um stand de pneus de uma das feiras. Ah, e imagino que estejam tendo um leve problema na comunicação com os chineses, já que o Michael ontem gritava no telefone (em meio ao sinal de fax): "ninguém nesse país fala inglês! ninguééém!"

Ontem fui dormir sem jantar pois os "já te vi" acabaram no almoço. O pior é que hoje também não tem almoço (e eu não vou cozinhar). Estou começando a perceber a diferença que faz, na minha vida, a ausência do Michael.

Monday, April 16, 2007

Dia 4 -

Sem notícias.

Pela primeira vez na vida dormi uma noite inteira de Domingo para 2a Feira (é que ele é insone nesses dias).

Sunday, April 15, 2007

Dia 3 -

Depois de 36 longas horas de viagem, o Michael chegou em Hong Kong. Ele foi direto do aeroporto para o centro de convenções (haja disposição!). Disse que a feira de eletrônicos é gigante e que o cartão de negócios está fazendo falta. (Inacreditável, Michael, que você viajou a negócios sem cartão!!!) Enfim, ele está sem banho há dois dias e está comendo um monte de comida chinesa.

Agora... eu estou feliz e descansada. Minha mãe veio pra minha casa para cozinhar feijoada vegetariana para mim. (ebaaa!) Uma amiga vem aqui à tarde e mais à noite vamos ao cinema. Life is good!

Saturday, April 14, 2007

Dia 2 -

Não sei se o Michael já chegou na China. Nenhuma notícia até agora.

Meu dia está sendo ótimo! Dormi mais de 8hs de sono (o que seria impossível se ele estivesse aqui), sendo que as duas últimas foram na companhia do novo master da casa, Muffin. Tive que preparar meu café da manhã (coisa que normalmente o Michael faz), mas foi tranquilo pois eu estava descansada. A aula de inglês foi ótima e inclusive ganhei um convite pra ir no show do Uakti, no Palácio das Artes. Ah, o melhor de tudo foi voltar para casa e tudo continuar exatamente no mesmíssimo lugar. Estou começando a perceber que a vida (temporária) sem o Michael é até agradável. No mínimo menos cansativa.

Friday, April 13, 2007

A Epopéia do Michael na China
(narrada por mim, que estou em BH)
e a minha jornada - de 26 dias - sem ninguém cozinhando para mim

Dia 1 -
Levei o Michael para o aeroporto. Ele irradiava alegria.

Voltei pra casa, preparei almoço para mim (meia hora pra preparar, 15 minutos comendo, 40 arrumando a bagunça), fui pra Cultura, voltei pra casa. Todas as vezes que voltei, a casa continuava exatamente igual (leia-se organizada) e percebi que isso é muito, muuuito bom.

Wednesday, December 27, 2006


Acordo de manhã e agora ouço o apartamento mudo. Bem longe escuto o motor da geladeira e o ventilador girando. Quando me levanto, me lembro da rotina matutina, dele me esperando no tapete da cozinha, esperando que eu abrisse a geladeira. E aí penso nos olhinhos, no jeito de andar meio que rebolando, tão lindo. Abro as cortinas, vejo a varanda, onde ele se escondia atrás dos vasos, ficava em pé a procura de pimentinhas, bebia água na piscininha. O canto do sofá, que ele sempre adorou. O pano que cobre o som, que ele puxava e fazia de cobertor. A gaveta das linhas e lãs, em que ele adorava se esconder dentro. O banheiro, onde demos o último banho. O vazio que ficou. Meus olhos cheios d´água. A casa vazia, o apartamento mudo.

Brownie
27/12/2001 ~ 22/12/2006

Thursday, November 16, 2006

Porquê sou o que sou

Nesses últimos dois meses fui duas vezes ao sul do país visitar minha cidade natal. Imaginei que seria como nas outras vezes: eu ia ficar na casa de um tio dito maluco, com uma tia que adora me engordar e primos um tanto - hummm - diferentes. Descendo do avião, alguém acena e pula. Não, não é pra mim. Chegando mais perto, percebo que o aceno (e os pulinhos) podem até ser para mim. Aí o Michael não aguenta e grita "ooooi mauroooo!". Era pra mim.

Até aí tudo bem - afinal, o que há de errado numa recepção calorosa? Em 4 dias visitei 9 dos 10 irmãos da minha mãe e 2 dos 5 do meu pai. Foi intenso. Mas foram nos momentos de descanso, em que eu parava para relaxar - 100% das vezes sentada numa mesa cheia de maravilhas italianas - que pude perceber as similaridades entre eu (um ser por muitos considerado exótico pras bandas de Minas) e minha família. Fiquei chocada ao ver que finalmente, pela primeira vez na vida, tive a sensação de pertencimento. Tudo se encaixou assustadoramente, perfeitamente, avassaladoramente bem. Tive vontade de gritar É ISSO QUE SOU!, o que por sinal não teria causado espanto algum.

É de lá que eu sou, daí que eu vim, disso tudo que eu saí. Essa não é uma afimação gaudéria somente (eu sou do sul... a minha terra tem o céu azul... é só olhar e ver), mas também uma afirmação de raízes, ascendência, DNA. Eu que a vida toda vivi longe dos parentes nunca imaginei que acabaria ficando tão parecida com eles.

Um recado aos que me acham louca: vocês não conheceram o resto da família. E louca não: Mioranza. Entendido?

Wednesday, August 30, 2006

JCC

No ultimo dia, o ultimo dos ultimos, cheguei no horario de costume. E, como de costume, alguns ja estavam la, outros nao. Todos os pequenos de camiseta vermelha (como fora combinado), era uma segunda feira comum. Mas nao para mim. A manha correu, passou mais rapido que todas as minhas outras manhas la. E com a minha camera, tentei capturar cada momento - mas estes sao impossiveis de manter ou guardar, sao apenas momentos. Triste, me despeco de tudo e todos. Parto para casa com presentes na bolsa, flores nas maos e um vazio no peito.

Wednesday, August 23, 2006

O banquete, a gula e a dor na consciencia

8:45 - Estava dormindo feliz...

9:11 - Toca o telefone. E o landlord entusiasmado porque quer sair. Aos poucos percebo que ele havia levado um bolo da namorada.

9:30 - Conseguimos concordar com alguma coisa, vamos sair para jantar mais tarde.

9:32 - Toca o telefone de novo. E o meu pai ligando do Brasil. Resolvo levantar da cama. Durante a ligacao, a chamada em espera do celular toca varias vezes. E o landlord de novo.

9:54 - Termino a ligacao com o meu pai e ligo pro landlord. Ele quer almocar dim sum. Aparentemente ele esta se sentindo sozinho. Marcamos para as 11:30 porque segundo ele o lugar lota.

Saimos atrasados de casa, 11:50. O landlord foi dirigindo "porque era mais rapido". Eu aceito o insulto numa boa, ainda mais com o preco do oleo... A 1 da tarde ainda estavamos perdidos. Ele telefona pro restaurante e pergunta quais intercessoes proximas a rua do tal. O atendente mal fala ingles. Alem disso, o restaurante estava tao cheio que o atendente mal conseguia ouvir o telefone. Comeco a ficar com fome.

1:30 - Pegamos um dos 35 mapas que estavam no carro. Que fome.

1:45 - O motorista se localiza e em 5 minutos chegamos no restaurante. Ele manda o Michael descer do carro e correr - rapido - para dentro para pegar uma senha. Ele corre, meio incredulo, mas quando ve mais 6 pessoas correndo para dentro tambem, acelera e consegue chegar antes delas. Ele consegue a ultima mesa!

Ufa. Estacionado o carro, abro a porta do lugar e vejo muitas, muitas mesas cheias de orientais. Uns americanos salpicadinhos aqui e acola fazem o ambiente ficar ainda mais internacional. Garcons e garconetes, de gravata borboleta preta seguem empurrando carrinhos carregados de comida. Eles saem por duas portas diferentes, cada carrinho tendo como alvo um lado diferente do salao, de forma que eu - desesperada - nao venha a encontrar meus dim sums frios! No momento que sento na cadeira, cha de crisantemo e servido. Coloco uma pedrinha de acucar e pego nosso primeiro prato: camaroes envolvidos em papel de arroz cozidos no vapor. A garconete anota algo incompreensivel na minha ficha e sai. Logo atras vem outra com mais, mais e mais comida. Nos empilhavamos os pratinhos na mesa, numa mistura de loucura, ganancia e orgulho.

Meia hora depois o xuxu (o dito landlord) ainda pega mais comida dos carrinhos que nao param de passar. Brocoli chines, arroz grudento (sticky rice) recheado com pato. Fico triste porque ja estou sem fome. Passam outros carrinhos e comecamos a recusar comida. No auge da melancolia vejo o que me esta sendo oferecido: uma pasta branca de tofu (e quem disse que tofu nao tem gosto?) com calda de lichia. Desconfiei muito dessa sobremesa pois as que eu tinha comido na casa do proprio xuxu tinham sido horriveis. Mas essa era perfeita, de consistencia perfeita e gosto suave. A outra (sim, comemos duas), era de arroz com uma pasta indefinida dentro. Foi o creme do creme.

Saimos do Oriental East felizes. Felizes com DC, felizes com o Xuxu, felizes com a vida.

Wednesday, August 09, 2006

Home + Sick

Não, não, não. Não vou falar que estou com saudades e aquela coisa toda. Mesmo porque estou mesmo e isso não vai mudar até eu voltar pra casa. A verdade é que estou em casa, à toa, vendo filme e curtindo o calorzinho gostoso (acabou aquela loucura de 40 graus) enquando os vírus infantis me consomem por dentro. É até uma sensação interessante, aquele "biziu" que dá no cérebro, uma sensação de entupimento dos ouvidos, falta de fome, gosto estranho na boca, sede sem fim.

Abri as janelas, desliguei o ar-condicionado - ligado desde o início de julho - xô germes, xô virus, xô coisa ruim! E me pergunto o que ficou encubado nesse ar por mais de um mês, pairando, flutuando feliz até pousar... nem quero pensar onde. (A verdade é que todos meus aluninhos estão tossindo, espirrando... aquela coisa.) Que entrem a brisa da tarde (que há uma semana mais parecia uma lufada de secador de cabelos), o sol quente, os besouros e mostiquinhos, não me importo. Ah, a pombinha continua chocando. Ela está convidada também. Acho que vou por a rede na varanda e fazer meu sudoku. Ah, que dia lindo para se ficar em casa doente!

Thursday, August 03, 2006

O Retorno e Terno*

Meu retorno é terno, é feliz, é esperado. Minha volta, traz à minha volta todos que amo. Meu mundo, minha vida. Minha paisagem, meu cheiro, meu canto (casa), meu canto (voz). Meu, meu, meu, tudo que é meu e que por um tempo deixou de ser. O tempo escorreu como água entre meus dedos e nunca mais há de retornar, passou, lufada de vento forte, não mais hei de viver o que perdi. Tempo, passe rápido! Que eu não te veja aqui, que eu não mais pense sobre os dias, que eu nem olhe as horas. Que o último mês passe como a noite de uma criança cansada: num piscar de olhos.

Meu retorno - seja ele temporário ou permanente - me faz antecipar a saudade que sentirei de pequenas coisas que aprendi a amar. A pomba na varanda, que durante horas espera seu amado voltar para cuidar do ninho enquanto ela busca comida. O menininho, vestido de girafa, com botas de joaninhas, beijando minha foto no meu crachá-colar (como não se apaixonar?). Os passeios ao entardecer, vendo os cervos e as raposas comendo as frutas nos arbustos, a apenas poucos metros de distância. Amo, amo, amo. Mas ainda assim, amo poder voltar.

* (tirei o título de um livro do Rubem Alves)

Saturday, July 29, 2006

É melhor ser alegre que ser triste

Eu sinto um vazio quando telefono para a minha mãe e a secretária eletrônica atende. Sinto o vazio quando a minha casa está organizada e fico sem nada para fazer. Sinto o vazio no trem cheio de manhã. E mais vazio ainda no trem de volta para casa, cansada, à tarde. Me sinto sozinha no carro, saindo da estação. Tanta gente, tantos carros em volta e não conheço ninguém. Ando na rua e não vejo rostos conhecidos, conheço meia dúzia de almas (penadas?).

Enquando o sol esturrica minha pele entre o cabelo e a camiseta, a tinta do jornal que eu carrego vai toda para os meus dedos. Escondo as mãos no metrô - o que vão pensar de uma mulher descabelada e com dedos pretos? O banho que tomo então serve como uma desinfecção. Meu médico me mandou tomar banho com sabonete anti-bactericida devido ao meu contato com crianças. Os bancos do transporte público são bem nojentos também - isso é conclusão minha (mas deveria ser senso-comum). Existe senso-comum?

Vazia, mas plena, concluo. Porque não há como ser vazia e feliz (do mesmo jeito que o que está vazio não pode estar cheio... mas deixa pra lá, a vida é cheia de contradições). Então penso, vivo em um dilema interno: sinto um espaço em branco dentro de mim mas outros labirintos, salinhas e salões meus são cheios de amor, carinho, memórias, alegrias. Essa solidão que me acompanha durante o dia vai embora assim que o telefone é atendido por uma voz humana e calorosa a milhares de quilômetros de distância.

Sunday, July 23, 2006

O ninho roubado

O Michael cisma que não, mas o ninho da varanda foi roubado. Ou melhor, está sendo ilegalmente ocupado por um casal de pombos enormes durante algumas partes do dia. A mini-pomba que o construiu, o abandonou logo depois. E de repente vemos esse casal cinza, super entrosado, reconstruindo, arrumando, ampliando o cafofo.

Um dia depois da invasão, volta a primeira pomba. Marronzinha e pequena, sinceramente não sei como ela conseguiu tocar os dois grandões de lá. Só sei que agora ela não arreda mais o pé - como dizem os mineiros - e faz plantão 24 horas de butucas abertas: daqui eu não saio, daqui ninguém me tira.

Saturday, July 15, 2006

Recuperei o bom humor

E agora, mais um fim-de-semana. A cidade quente e húmida ferve com a presença dos turistas, que lotam as estações de metrô e não param de pedir informações. Já fui um deles. E enquanto eu me misturo à essa massa colorida de saias, cabelos curtos e chinelos de dedo, uma chuva torrencial de verão enxarca, esfria, faz cócegas na minha cabeça.

Já ensopada de suor e chuva, chego à estação onde todos sorriem, como que aliviados por estarem livres daquela sensação grudenta que é o mês de julho em DC. Os camelôs surgem como cogumelos na floresta, do nada, com bancas cheias de flores e guarda-chuvas de cinco dólares (que eu não recomendo por experiência pregressa - NY 2005).

Encontro um lugar no trem molhado e cheio de mães com strollers e velhos que adoram puxar assunto. Pego meu livro na bolsa, percebo que este também se aliviou das altas temperaturas: as páginas ficaram grudadas com toda aquela água. Tudo bem, faltavam menos de 10 para terminar a história. Do meu lado senta uma senhora de camisa branca-transparente, aquela visão típica pós chuva. Decidi não ler meu livro tortuoso (literalmente) e observar. Os ânimos estavam leves, as pessoas estavam leves. Era sexta-feira e a chuva lavou minh'alma.

Tuesday, July 11, 2006

Depois de um dia memoravelmente detestável no trabalho; depois de pegar 2 trens de volta para casa, sendo que um deles estragou (o estrago sendo o motivo de eu ter que pegar 2 e não 1 trem); depois de perder o apetite, chorar de nervoso, depender da ajuda de estranhos, ufa, fim de semana. Bem, bem, não tão rápido moçinha. Abro a caixa de e-mails, notícia terrivelmente mortificante, anestesiante (quem me dera), lamentável, triste.

Choro de saudade, de vontade de estar em outro lugar, de tristeza, de auto-comiseração. E choro mais porque auto-piedade é horrível, detestável. E uma espinha, vermelha e grande, a primeira de muito tempo (graças ao bom Deus), surge no meu rosto. Uma marca da dor, da falta de uma boa noite de sono, do stress, interpreto eu, no meu discurso (não-falado) de auto-análise. Então segunda-feira chega e eu ainda naquele ritmo lento, sem foco, emburrado, enlutado. Me dão melancia, sombra e água fresca e mesmo assim me ponho a chorar. Tenho que dar tempo ao tempo.

Quanto ao tempo: "Só podem viver bem aqueles que aprendem a sabedoria que a morte ensina". Você se lembra da Sociedade dos Poetas Mortos? "Carpe Diem (...) beba cada momento até as últimas gotas. É preciso olhar para o Abismo face a face, para se compreender que o Outono já chegou e que a tarde já começou". Rubem Alves.

Sunday, July 09, 2006



Em memória à minha nona, Antônia Mioranza

Quando eu era bem pequenininha minha mãe me levou para a casa da minha avó. E nós duas estávamos na horta (as hortas dela eram sempre maravilhosas, com caramujos, pés de funcho, laranjeiras e até pé de kiwi!) colhendo a salada do almoço quando ela colheu uma cenourinha, também pequena, especialmente para mim. Ela lavou a cenoura no tanque e me deu. Na primeira mordida, uma dor lancinante me fez gritar: um dente havia se quebrado! Minha mãe me levou embora - sem almoço nem nada - de volta para a cidade onde morávamos e a Nona ficou sozinha.

Eu via a Noneta todos os anos, nas nossas viagens anuais ao Rio Grande do Sul. Ela sempre estava lá, tranquila e recolhida, engraçada do jeito dela. Há 5 anos fui visitar, levando desta vez uma novidade: eu havia me casado e estava levando meu marido. Além disso, estava partindo para uma viajem de 2 anos - a Noneta já estava em seus 83. Na hora da despedida, me lembro que pensei: e se essa for a última vez que a verei? Sem eu falar nada, ela me disse "nos vemos em 2 anos".

E assim foi. Da última vez em que fui ao Sul, lá estava ela, saudável e ativa, mas não tão alegrinha como de costume. Fiquei 10 dias hospedada no quarto de hóspedes com minha mãe, ganhando chá adoçado com mel na cama todos os dias de manhã. Nós passeávamos juntas à tarde, jantávamos juntas à noite. Tiramos fotos na horta, junto às laranjas, ela com uma touca branca, parecia uma duende. Rimos tanto... Ela tentou me ensinar a fazer crochet, cestinhas... tantas coisas. Quando fui embora, me lembro de estar aliviada de sair daquele lugar frio, de voltar pra casa. Não me passou pela cabeça que eu nunca mais a veria.

* uma das fotos que tirei na horta: a noneta e minha mãe, Julho/2005.

Monday, June 19, 2006

Não tenho dinheiro

Não tenho dinheiro e meu aluguel está atrasado. Pus o ad-sense no blog, vendi livro usado pela Amazon, arrumei um emprego antes mesmo da autorização de trabalho chegar (e o pay check chega só daqui a 20 dias), fiz traduções, revisões de texto, transcrições, análises linguísticas, ufa! Mesmo assim, estou sem dinheiro nenhum.

O governo americano enviou meu visto de trabalho mais de 4 meses depois de eu ter feito o pedido e com o prazo de expiração para daí a dois meses. Fantástico, veja somente o lado bom: pelo menos consegui um trabalho. Aí precisei tirar Social Security Number para poder trabalhar (e pagar taxas), que só vai chegar daqui a 6 semanas - menos de 1 mês antes de eu ir embora de volta para o Brasil! E, que ótimo, para ser admitida no emprego ainda tenho que ir no fim do mundo fazer exame físico (pago por mim!), pegar metrô, ônibus, metrô, ônibus, metrô, ônibus... aaaaaaaaahhhhhh! Vida de proletária. Que bosta.

Friday, June 16, 2006

A Escola

Da lista de oito escolas interessadas nos meus prestimos gratuitos, telefonei somente para duas. A minha primeira ligacao esta descrita aqui:

"alo"
"ALO"

"oi, meu nome e ciclana e eu sou a brasileira que a fulana de tal disse que gostaria de trabalhar de voluntaria."
"HUHUM"

"... bem, eu gostaria de saber um pouco mais da escola, onde fica, como e o metodo, o que exatamente voces gostariam de mim..."
"HUHUM"

"... ... bem, sera que voce poderia me falar isso?"
"HUHUM"

"... ? ... ?"
"... ... ..."

"BEM, NOSSA ESCOLA E PEQUENA E ADOTA O METODO TAL. SE VOCE QUISER VIR NOS AJUDAR (PORQUE NOS REALMENTE PRECISAMOS MUITO DE AJUDA) PODE VIR. MAS SE VOCE PREFERIR IR AJUDAR UMA ESCOLA MAIOR QUE TEM MAIS INFRAESTRUTURA, TIPO A ESCOLA TAL, FICA POR SUA CONTA DECIDIR O QUE VOCE ACHA MAIS IMPORTANTE: UMA ESCOLA PEQUENA DE PESSOAS OTIMAS OU UMA ESCOLA GRANDE QUE NAO DA VALOR PRO INDIVIDUO. E ENTAO, VOCE VAI VIR OU NAO?"
"(ainda chocada com o tom de voz e descrente do discurso) Bem, eu gostaria de pensar no assunto, eu tenho uma lista de varias escolas pra escolher... sabe? Eu quero fazer a melhor decisao"

"OUCA, MADAME, NOS REALMENTE PRECISAMOS. O QUE VOCE VAI FAZER PRECISAMENTE? NAO SEI! VOCE PODE TER CERTEZA DE UMA COISA POREM: EM HIPOTESE ALGUMA VOCE ESTARA BABYSITTING AS CRIANCAS OU SOZINHA NA SALA COM ELAS! ISSO SERIA INADMISSIVELLLLLLLL"

Nao sei se por susto, acabei concordando. Que arrependimento. Ja no meu primeiro dia, o cheiro da escola me deu nauseas: a escola nao se dispunha a trocar a fralda das criancas, entao o aroma, para alguem vindo de fora do metie, era simplesmente insuportavel! Na hora do lanche, cenourinhas baby com... cabelo! E ninguem, nenhuma das outras 3 professoras perceberam o longo fio entrelacado no meio das cenouras. Que nojo. Foi um susto tambem olhar para alguns dos pirralhos. Tres deles eram tao mal cuidados (estranho para uma escola tao cara), que parecia ate que eles nunca haviam tomado banho com xampu durante a breve existencia deles. (Mais tarde fui descobrir que algumas pessoas, por motivos religiosos, nao cortam - ou penteiam, no caso - o cabelo dos filhos antes que estes completem 3 aninhos).

Deu meio-dia, mais um choque: as duas professoras do metodo vao embora e me deixam la com uma assistente meia boca legalmente proibida em ficar sozinha com tantas criancas. Como se nao bastasse, a assistente me pergunta se pode ir embora porque nao esta se sentindo tao bem (era sexta feira...), querendo que eu ficasse com as criancas o resto do dia! Hummm... Alguem havia me dito que eu nao ficaria trabalhando de baba... alem disso, um voluntario ficar por conta tambem e fora da lei!! E o que e pior: essas pessoas nunca tinham me visto na vida.

No outro dia (fui pressionada a ir 5 vezes por semana, e resisti a pressao, concordando em ir 2 dias e deixar 2 em aberto. Nunca fui mais que 2 vezes mesmo), me pediram que eu organizasse a sala de aula asap, porque estava um chiqueirinho e eles teriam visita. Na hora em que as visitas chegaram... mesmo estando fora do schedulle (schedulle?? o que e rotina para criancas?), a gurizada e a voluntaria foram mandadas para o parquinho. Enquanto os pais visitantes estavam na escola, eramos expressamente proibidos de voltar. E isso se repetiu varias vezes. Interessante voce querer mostrar uma escola sem criancas dentro... Mas essa logica daquelas malucas fazia muito sentido: nunca vi meninos tao indiciplinados - a nao ser em uma escola em que ensinei em Belo Horizonte - e selvagens em toda a minha vida. A cabeca daquelas criancas funcionava assim: "veja pequeno cerebro! tenho lama nos meus sapatos! vou passar a lama nas mesas e cadeiras da sala de aula! sim! ah! isso e bom! muito bom! hahaha! que legal!". Logo depois, outro pequeno anjo via o coleguinha e pensava: "oh, pequeno cerebro, que lindo o que a beltraninha esta fazendo, deve dar um prazer imenso! sim, vamos fazer tambem". E ninguem falava absolutamente nada.

Os dias se passaram e fiz a feliz descoberta: a escola entraria de ferias dia 15 de junho! Irradiando alegria, contei os dias para que a tortura terminasse. No ultimo dia, vendo que eu havia obtido minha carta de alforria daquela escravidao voluntaria (por pura do de jogar o avental - simbolicamente - e abandonar meu importante posto no meio do semestre), as professoras nao deixaram barato: achando que eu nao estava sendo aproveitada o suficiente, me pediram que eu arrumasse o armario da escola: um quartinho 1x1 com prateleiras lotadas e o chao tambem lotado ate a minha cintura de forma que era impossivel entrar no tal quartinho. Foi a gota d'agua. Era jogo do Brasil e eu nao perderia o jogo para ficar naquele lugar. Entao elas resolveram que seria interessante se eu encaixotasse tudo que eu ja havia organizado dentro do armario e transportasse aquelas caixas para o primeiro andar da escola. Me desculpei e sai de supetao, correndo, com a desculpa de que eu entendia que aquela era uma escola religiosa, mas que eles tambem tinham que entender que no Brasil, a religiao e futebol e que eu estaria cometendo um pecado se perdesse a transmissao ao vivo do jogo do meu pais. La fui eu.

E hoje era o picnic de encerramento das aulas. Fico imaginando aquelas professoras desajeitadas e os pais e maes daqueles pestinhas com os 7 ou 8 irmaozinhos de cada um dos pestinhas (somando todos os alunos com seus respectivos irmaos, mais o desconto de que nem todo mundo tem tanto irmao assim - afinal nem todo mundo e religioso pra xuxu - da um total de umas 110 criancas!) se perguntando: cade aquela shikser-nao-paga que disse que vinha! Ah, nao se pode confiar nos goyim! Otimo... agora eu vou ter que ficar olhando meus 9 filhos suuuuper bem educados!

Nem liguei pra avisar. Foi meu primeiro dia como professora paga "naquelas escolas grandes, com infraestrutura", super divertidas.

Wednesday, June 07, 2006

A transitoriedade da vida e como os americanos se sensibilizam com lágrimas (mas não muito)

Costumo brincar com meu marido dizendo que ele tem ancestrais ciganos. Isso não é verdade, mas sinto que ele não para quieto em um lugar, o que me deixa feliz porque já me acostumei com isso e gosto da perspectiva de nunca passar a vida toda em um só lugar, igual uma árvore, grudada no chão. Meu chão, no interior do Rio Grande gaúcho, é um lugar lindo. Mas já não pertenço. Quero mais.

Acontece que essa indas e vindas dão um ar muito transitório à vida. Para qualquer lugar que eu olhe sei que aquela paisagem representa apenas um curto período de tempo. E se faço tal trajeto todos os dias, as chances são de que eu nunca vá me enfadar deste. É sempre novidade, meus trajetos mudam com as estações e eu estou sempre na expectativa da mudança. Adoro a expectativa.

Então houve a expectativa de conseguir finalmente a carteira de motorista. Faltou um documento (o qual enviei para outro departamento do governo) e a oficiala não se sensibilizou com a história. Meu marido sorrindo, com a nova carteira nas mãos, mas eu não, eu precisaria de outro papel. Dispensada, não deixei barato: chorei alto, igual criança, tremendo. Comoção no MVA! Americanos não estão acostumados com a exibição pública de emoção. Me mandaram para a supervisora, onde eu mal conseguia falar. Outra comoção. Policial, supervisor, supervisor do supervisor do supervisor, a tropa toda. Tenha esperança! Um glimpse de esperança, todos disseram. As lágrimas de crocodilo se secaram, o teatro não durou muito (mas eu mereci um Oscar) e a resposta final foi Não.

De novo, isso também é transitório. Desisti da carteira, sou uma fora da lei.

Tuesday, June 06, 2006

Das diferenças culturais
(Atenção: socióloga extrapola no politicamente incorreto)

Tenho medo, muito medo dos americanos. Tenho medo de pisar no perfeito sidewalk deles e, sem querer, chutar uma pedrinha para o impecável canteiro de flores. Medo de olhar fixamente sem querer para eles ou para o carro deles. Tenho medo de pisar na grama do vizinho, de dizer bom dia, boa tarde, boa noite. Aliás, detesto meus vizinhos americanos brancos. Detesto os chineses também.

Os brancos americanos são agressivos. Duvida? Chega perto do carro deles, seja para atravessar a rua ou esperar alguém. Primeiro, eles assoviam: "fiuu! fiuu!", igual um guardador de carros brasileiro. Se isso não funciona vem o amigável: "get away!". Ok, supondo que você não percebeu que é com você: "get away from my f* car or I'll call the police!". Uns doces os brancos americanos.

Outra situação: você, sem querer, está no caminho de um branco americano. Big mistake! Ele vai gritar com você até você, estupefado, sair do caminho dele (o que aconteceu com o bom e velho "excuse-ME!!"?).

Agora os chineses. E por chinês, perdão, mas estou supondo que eles sejam realmente da china. Você está no metrô. O chinês entra e nem olha pra frente mas vai pisando nos pés de todo o mundo. Apesar de ser proibido comer no metrô, lá vai ele almoçar, sentadinho na cadeira, um sonoro yakisoba! Delicia!

Já que é pra ser politicamente incorreta, vou lenhar os vietnamitas também. Se tem um bicho fazendo ninho no quintal da casa do meu senhorio e este se tornar ciente de tal fato, oh, oh! O bicho será homeless assim que o senhorio perceber a presença do animal. Munido de uma vassoura, la vai o xuxu tocar os pombos, coruja ou passarinhos. "The last thing we need are rats!". Mas coruja come ratos, eu boba, argumentei!

Mas voltemos aos brancos americanos. Eu digo brancos porque tanto o chines quanto o vietnamita já são americanos. Vá ao starbucks por exemplo. Adoro o café, mas que povinho mais pretencioso! Agora eu sou obrigada a saber que o tall significa "small", o grande "medium" e por ai vai! Estude o vocabulário do Starbucks antes de fazer seu pedido porque os garçons têm pavio curto. Vai se complicar pra você ver, a pessoa que está atrás de você na fila pode ficar nervosinha...

Isso remete ao "the soup nazi", do Seinfeld. Aquele tipo de gente só existe aqui na América! Imagina se a pastelaria do Manoel, no centrão de Belo Horizonte, fosse tão picky assim. (Você não pronuncia muzzarela do jeito certo? No pastel for you!) O Manoel iria à falência, sem sombra de dúvida. Mas aqui, na terra das oportunidades, eles são linientes com esse tipo de comportamento. A agressividade é inclusive, muitas vezes, vista com bons olhos. Significa que você tem "drive".

Mas o que mais me irrita aqui na américa é a crescente xenofobia. Depois do 9/11 as coisas começaram a ficar complicadas para o lado dos estrangeiros. Um passo em falso e você é chamado de terrorista, ladrão, third world scum. Vejam a dificuldade que ficou conseguir uma carteira de motorista em Maryland depois do atentado(a saga está descrita no multiply do michael). Somos tratados como escória, até que se prove o contrário. Com o immigration act (em que o presidente fez discurso na tv e tudo mais), vimos os protestos dos americanos em frente à Casa Branca. É triste ler os cartazes. No dia seguinte houve o "dia sem mexicanos" em que a comunidade de imigrantes encorajou que ninguém fosse ao trabalho. A américa parou, não tinha pão nos restaurantes, a grama alta continuou assim, muitos lugares fecharam as portas por 24 horas por falta de staff. E aí você vê os pequenos empresários no noticiário elogiando seus funcionários. São as pequenas grandes contradições.

Monday, June 05, 2006

Banzo

- substantivo masculino 1. processo psicológico causado pela desculturação, que levava os negros africanos escravizados, transportados para terras distantes, a um estado inicial de forte excitação, seguido de ímpetos de destruição e depois de uma nostalgia profunda, que induzia à apatia, à inanição e, por vezes, à loucura ou à morte.

Morte eu acho que não é o caso porém. Mas tenho saudade do Brasil em clima de Copa do Mundo. Tenho saudade de olhar a rua pela janela, no meio de um jogo, e não ver absolutamente nenhuma alma viva (não que eu sinta falta de ver uma rua vazia. Eu vejo isso aqui todos os dias!). Tenho vontade de ir ao café na sexta à noite. Saudade de ir trabalhar no High. Tenho saudade da minha cama, meu sofá, minha cozinha. E mais ainda, dos meus meninos.

Ah, que tristeza que me dá em olhar a floresta e não a favela! Será que já estou no estágio da loucura? Não, não, não se preocupe comigo. Banzo passa. Dou graças a D'us todos os dias por acordar com o canto dos passarinhos e não com o ronco do motor dos ônibus subindo minha rua. Aproveito cada segundo em que tenho o vidro do meu carro aberto num sinal fechado. Aliás, insisto em deixar meu i-pod bem à vista quando estaciono o carro, só pra encontrar ele lá quando eu volto. Que prazer incomensurável! Mesmo assim, ainda me pego sonhando que estou em BH (usualmente na companhia de alguém muito querido). São sonhos felizes.

Outro dia acordei com o Michael gritando. Era um pesadelo em que ele estava na BR, sendo assaltado por dois homens.

Cada um lida com o banzo do seu jeito.

Wednesday, May 10, 2006

Calma tarde de ceu azul. As abelhas, numa correria frenetica, voam de um lado para o outro, como se amanha nao fosse haver mais polem nenhum. Minha cabeca lateja, minhas costas doem e ainda assim sei que tenho um longo dia pela frente. E da janela as pessoas passam despreocupadas: uns desistem logo de ir a aula, no meio do caminho gramado e ficam por la. Deitam na grama e zzzzzzzzzzzzzzz.

Assim que cheguei, meus dias consistiam em intervalos de sono. O sono da noite, o do fim da manha e o da tarde - que geralmente durava a tarde toda, ate o Michael chegar em casa e me acordar. Eu mesma achava estranho ter sempre sono de sobra. Talvez tenha sido uma fase de reposicao de energia, energia Kcal e nao coisa de zen, reposicao de todo sono perdido por ansiedade.

Os sonhos, no entanto, continuam. Sonho com o dia em que verei os meninos novamente. Sonho em passar muitas tardes com minha mae. Sonho em ir na Aurea, minha cabeleireira. Sonho em ter filhos, netos, bisnetos. E sonho com as pessoas que estarao ao meu lado, ate o dia em que eu nao despertar mais.

Tuesday, May 09, 2006



Os gansinhos chegaram!


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Wednesday, May 03, 2006



A Gansa na Shady Grove


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Para a minha mãe

Eu queria te mostrar a cor dos pássaros que vejo. Rosa, vermelho, azul. Eu queria que voce acordasse com o canto deles também. Eu queria que você tivesse visto a gansa chocando os ovos no meio do estacionamento da estação de metro. Os carros estacionados e ela lá no meio, num canteiro de grama, com um ninho improvisado, pedaços de pão e uma maçã (provavelmente doada por alguém) ao lado. Ela feliz, não se mexia, só chocava.

Eu queria, minha querida, que você visse a ruas arborizadas, as casas coladas umas nas outras em Dupont. Eu queria que você passeasse pelas ruas de Georgetown com um sorvete nas mãos. Eu queria outra primavera ao seu lado, como aquela última: perfeita. Você veria os cervos na floresta, a coruja na varanda, os esquilos, minha casa, meu quarto. Você e eu riríamos e deitaríamos na grama atrás de casa. Nós conversaríamos e conversaríamos porque nunca ficaríamos sem assunto.

Eu gostaria de te ter por perto nesses momentos, que fazem parte dos melhores da minha vida. Eu queria te ter na minha memória não como mãe longe, não como distância dolorida, telefonema que mesmo quando é longo nao é o suficiente para matar, aniquilar, estraçalhar toda saudade que tenho.

Thursday, April 27, 2006

News from Brazil

I was talking to my mother on the telephone this afternoon and, to say the truth, I was appalled by the news she gave me (what's interesting is that my mom always has news. She always, doesn't matter how often I call her, always has something to tell me. It's either the ferrets or the weather or even people who passed away - she collects interesting daily things to tell me whenever I give her a call).

But today, I really wasn't expecting that. The news were simply sad. No one died, God forbid, but it was just as depressing. First, I think I hadn't given a thought about the matter of our conversation for maybe a month or so. The problems that were bugging my mind at the time I left my home country were far behind me. I had honestly thought I had gotten rid of them. However, as I said "hello" on the phone, I eventually heard a profound sadness and an unusual lack of joy in her voice. I instantly knew something was tormenting her.

Maybe tormenting is not the correct word... I know she's strong and she actually said she was over it the minute the event in question ended. But as she described everything and the way I pictured things happening, I felt my heart full of anger and grief. I wanted to wrap my arms around her and cry. Cry for not being there. Cry for how distant I am. Cry - just for the sake of it.

As to what happened, there's barely anything I can do. Even if I was home, my hands are completely tied and my mouth finally shut. There are things and people that you just have to let go. And this is a decision I've made, I'll let it go.

Monday, April 24, 2006

Da janela vejo uma arvore cheia de folhas verdes (quase comum nessa epoca do ano). E, no meio da grama, os caminhos de concreto levam e trazem estudantes, mocos e mocas de saia (eles escoceses) e ate criancas de maos dadas num trenzinho desengoncado.

Da igreja vem os blem-blem-blem dos sinos e no predio em frente ao meu, as colunas greco-romanas brancas dao contraste ao predio de tijolos vermelhos. No ceu, nuvens acinzentadas ameacam chuva. Sente-se o vento frio cortando a pele - sim, eu sei, e primavera.

E primavera aqui e e primavera na vida. Sempre me pergunto se a essa altura do campeonato eu ja deveria ter feito mais de mim do que sou. Sera que ja deveria ter feito algo mais que um curso de sociologia e um diploma de CAE? Sim, se tivesse me orientado desde cedo para as recompensas financeiras. Creio que deveria ter tomado uma atitude mais, digamos, capitalista. Porem, eu que sempre curti a vida tranquila, minha casa, meus bichos, meu chao, preferi dividir o meu tempo em aulas e casa. "Olhai os lirios do campo!". Sempre penso nisso.

Na verdade, eu sempre olho os lirios (nao necessariamente eles, mas vejo as arvores) e penso que nada ha de faltar. Mas me confundo quando olho os passaros ou os esquilos: como trabalham! Sempre correndo (ou voando) para la e e pra ca atras de... comida, subsistencia. Sera que eu deveria correr mais? Sera que a dadiva divina so vem para os que estao plantados na terra? Se for assim...

Mas resisto em pensar que o futuro nao sera diferente. Tenho esse pensamento otimista de que tudo vai se arranjar com o tempo. A vida prova que as coisas se organizam da mesma forma que as dores passam: o tempo cura. Ou sera que nos acostumamos com tudo? Seja la como for, vai ser bom. Se o agora e otimo, por que nao ha de continuar assim?

Friday, April 21, 2006

Muitas vezes na vida nos deparamos com pessoas invejosas. E interessante, porque ninguem, mas ninguem mesmo, admite ter tal sentimento. Ninguem chega para o analista e diz: "olha, eu tenho esse problema de inveja... eu morro de inveja de fulano e beltrano, alias eu tenho inveja de todo mundo que tem o que eu nao tenho".

Como mulher, eu sinceramente acho que isso atinge mais o nosso sexo. Afinal, quem e que ja viu um homem que, ao ver o sapato novo do amigo (pra comecar eles nao reparam!) morre de inveja e corre pra um shopping para achar um sapato identico ou parecido ou ainda (a facada final feminina), mais caro? Eu nunca vi meu marido se queixando que este ou aquele amigo dele sao mais magros que ele. Muito menos reclamando que fulano ganha mais e por isso anda mais bem vestido. Isso simplesmente nao faz parte do universo masculino.

Mas no feminino... bem, as coisas sao um tanto diferentes. As comparacoes (vulgo inveja) acontecem em todos os niveis: mae com filha, amiga com amiga e inclusive entre mulheres que nem sequer se conhecem. Mae com filha: "quando eu era jovem, eu nao tinha tanta celulite quanto voce!". Leia-se: "ai que inveja da sua juventude!". Amiga com amiga: "voce acha que emagreceu? imagina! ta a mesmissima coisa!!". Leia-se: "voce esta mais magra que eu - ai que inveja - mas eu vou negar ate a morte!!". Desconhecida com desconhecida (em pensamento): "aquele vestido da patachou ficou o O nela!!", leia-se: "eu teeeeenho que comprar aquele vestido, nem que eu divida em 18 parcelas no cartao!!".

Pois e, fui vitima da inveja de uma conhecida nos ultimos dias. Na verdade, claro, somos sempre vitimas de inveja - afinal, tem sempre alguem pior do que nos mesmos. Alguem olha para uma pessoa obesa e sente inveja? Ou ve um miseravel na tv e gostaria de estar no lugar dele? Por acaso sentimos vontade de ter aquela furreca velha parada na beira da estrada no meio de um toro? Nao, nao e nao. Mas e claro que se vemos alguem magro, lindo, rico e dirijindo um jaguar, rola aquela pontinha de... voce sabe o que.

Segundo a minha mae, devemos fazer de tudo para que os outros nao sintam inveja. Ok, eu juro que tento, mas tem gente que insiste. Diz ela que o melhor jeito e dar gracas a Deus. Explico: quando uma fulana diz "Voce e mais nova que eu e ja e casada (com um meeeedico!!)". A isso, responde-se: "Mas e um milagre! So um milagre explica isso!". "Voce tem a nova gaucho bag!!! E carissima!". De novo: "so Deus explica isso! e como um milagre!". E por ai vai.

Ok entao. A quem morre de inveja do meu rico dinheirinho empregado em um simples corte de cabelo (eu valorizo muito minhas madeixas, que fique registrado), respondo: e um milagre eu ter tido dinheiro para pagar. So Deus mesmo! Aleluia.

Sunday, April 16, 2006

A bi-cicleta

Ontem conhecemos um casal francês, Jean e Danielle.

Ja na faixa dos 60, Jean tem um incrível senso de humor que aniquila qualquer tentativa de conversa intelectual com uma piada irônica (eu achei sensacional!). Ela - como todas francesas - magra, de sotaque maravilhoso, cabelos lisos e sorridente. Os dois, apesar de terem três filhos, se intitulam "recém-casados" e como tambem não conseguiram tirar a carteira de motorista de Maryland, resolveram que uma bicicleta seria um meio de transporte interessante.

Mas com tanto amor e paixao no ar, a bicicleta tinha que ser especial: dois guidons, dois selins e duas rodas. Ele na frente, cabelos brancos ao vento, faróis (a pilha) acesos, pedala com força enquanto ela vai atrás sem nem sequer por as mãos no volante. Eu perguntei se ela nao tinha medo de cair. "Eu tenho total confiança nele", ela me disse.

Insistiram pra que nós fizéssemos uma tentativa. Ok, eu de saia e salto, não era muito bem o que eu imaginava para andar de bicicleta, mas vamos lá. O Michael tinha um pé no pedal e outro no chão e eu coloquei meus dois pés nos encaixes. Ai que medo de cair... eu ja estava me imaginando jogada no chao igual uma boneca abandonada, com a saia levantada e o salto quebrado...

Confiança! Confiança! Os franceses diziam. Lá fomos nós... no vento, na brisa noturna, 1.20 da manhã em Washington, pedalando, pedalando, que bom, eu sorria feliz, confiante no meu piloto, quando: ups! o Michael perde o equilíbrio. Paramos abruptamente. Eu quis continuar mas ele ficou com medo e descemos da bicicleta.

Olhei em volta e nao acreditei: as pessoas na rua tinham parado para ver e diziam "coooooool" e "that's fun!". (De madrugada? Nao muito comum na america.) Enfim chegou a hora de dar tchau e voltar pra casa. Nos beijinhos, Danielle disse: "Riding a bike together is just like being in a relationship: sometimes he pulls and others you have to pull. But you always have to trust each other".

Achei lindo!

Saturday, April 08, 2006

A Raposa

Noite passada tive esse sonho mais pra pesadelo que, da minha janela, eu via uma raposa perseguindo dois furões selvagens (que na verdade eram Brownie e Muffin mas com um cabelinho mais arrepiado). Eu abri a porta e saí de meias, pisando na grama molhada para defender os bichos. Quando eu vi, a raposa tinha se transformado num lobo preto.

Então de manhã eu estava olhando pela janela quando vi uma raposa passeando na floresta, as folhas secas encharcadas da chuva da noite, e os brotos verdinhos em todas as árvores. Ela olhava de um lado para o outro e parecia feliz, satisfeita da vida. Mas em volta dela, a floresta estava muda. Sem nenhum outro bicho por perto, ela seguia num passinho contente.

Não consegui deixar de pensar em mim e nas minhas tardes sozinha. Me ocupo, mas a solidão às vezes arranha a garganta e o peito. Pisando nas folhas amarelas molhadas, corro sozinha, muitas vezes acordo sozinha. Almoço e passo o dia aqui, no silêncio máximo do meu minúsculo apartamento. Mas não deixo de seguir feliz.

Thursday, April 06, 2006

Tem uma coruja na minha janela. Pequena, parruda, bege e branca, butucuda coruja. Essa manhã acordei com o canto de o que pareciam ser 50 passarinhos. Que barulho, levantei e abri as cortinas, todos cantando o que mais pareciam ser gritos (de passarinho), em pleno vôo e quando eu aparecia na janela, fugiam. E começava de novo, aquela passarinhada, todas as cores, tamanhos e tipos, reunidos em volta da rede e da cerca de madeira, cantando o que mais parecia ser um comício político de aves.

Desliguei os ouvidos e saí de casa. Quando voltei, a mesma história, eles não cansam!! Fiz então o meu próprio barulho, num protesto bobo. Liguei o aquecedor, passei aspirador no chão e por fim (eu me canso, afinal sou gente) liguei a música. No topo do volume das pobres "caixas", se é que posso chamá-las assim, do meu laptop, eu ainda ouvia o canto de um passarinho insistente. Resolvi ceder. No Brasil eu raramente ouvia tais cantos, eram só ônibus (que aliás tremiam o prédio todo), buzinas, música alta. Por isso, cedi. Desliguei a música para ouvir a música desta nova fase da minha vida. Uma fase agradável, tranquila, fresca, feliz.

Por curiosidade, olhei pela janela. Lá estava um micro-passarinho, no ar, cabecinha apontada pra cima, literalmente gritando. Pra quê tanta saliência, meu Deus?! Levantei e fui na porta da varanda (de vidro) para ver melhor e lá estava ele, pi pi pi pi pi pi! pi pi pi pi pi pi! Os olhinhos fixos pra cima, um grito de guerra. Olhei pra onde ele olhava e lá eu vi. Majestosa, comparativamente imensa, um olho aberto e outro fechado - a coruja!

Wednesday, March 01, 2006

Das janelas vejo longas árvores secas e tristes. E olho para dentro do apartamento, preciso ligar o aquecimento pois está ficando frio. Ligo e logo penso que o ar seco que faz meu nariz sangrar todos os dias vai acabar ficando mais seco ainda. São meio-dia, mas sinto como se fossem 9 da manhã - o silêncio (que temo que vá durar o dia todo) e o clima são sempre os mesmos.

Hoje corri pela manhã. É um jeito de conhecer a vizinhança, ficar menos perdida, me localizar mais. Casas e mais casas com carros idênticos nas garagens e ninguém por perto. Um condomínio fantasma? O vento frio deixou as maçãs do meu rosto vermelhas, um cachorro latiu de uma janela - enfim um ser vivo além de mim! - e vim correndo (literalmente) para casa.

Fazendo das palavras de Rubem Alves as minhas "É preciso muito pouco. A alegria está muito próxima. Mora no momento. Nós a perdemos porque pensamos que ela virá no futuro, depois que algum evendo portentoso que mudará a nossa vida. Mas vida: o que é isso?"

Friday, July 01, 2005

Voltar ao Canada fez bem a alma, a pele, ao coracao. Rever a rua onde morei, os caminhos que fazia todos os dias, as arvores, os esquilos. Sinto falta de tudo aqui. Das ruas, das flores, do cheiro do ar, da cor do ceu. Sinto que parte de mim ficou aqui. Parte de mim com 23 anos e alegria nos olhos. Parece que foi ontem que sai e hoje demorou tanto para chegar. Tenho a impressao de que tudo continua como esta - o que nao e verdade, e so olhar em volta. Me pergunto, a cada segundo que passa, se seria bom ter ficado. Como teria sido, se teria sido bom. E finalmente, pela primeira vez desde que voltei ao Brasil, concluo que a volta foi boa.

Friday, February 18, 2005

O Presente de Aniversário

A insônia de segunda acabou sendo produtiva: por que não visitar o atelier daquele artista que tanto gosto? Esse seria o melhor presente que poderia existir, a realização de um sonho antigo. Hoje, esta noite, sentada no sofá da sala, ainda reflito e me emociono com tudo que se passou no dia da visita. Quando cheguei - acompanhada de minha mãe e meu marido - vi aquelas paredes, cobertas de pinturas, que pinturas! E logo meus olhos se fixaram no retrato de um homem jovem e não tão bonito, mas interessante. O retrato do artista quando jovem exibia um bigode estilo Clark Gable e cabelos negros ondulados; o rosto de um moço cujos olhos sinceros exibiam alegria. E de repente me vi ali, parada em frente àquela comparação inevitável entre o velho e o novo, um belo na pintura e o real, de cabelos brancos raleados. Eu era um galã, ele me disse e nao tive resposta, só pensei que sim. Ele nos serviu wiskey e me perguntou quantos anos tinha. Vinte sete amanhã, senhor. Mas que jovem, que alegria, ele falou para minha mãe. Respondi que já tinha alguns cabelos brancos - os quais ele fez questão de conferir por pura diversão - e que o tempo era implacável.

E a visita prosseguiu. Ele me mostrou seus quadros favoritos. Me mostrou fotos de seus pais e falou de sua juventude. Três retratos dele nos olhavam e eu não conseguia deixar de pensar em toda a tristeza que havia naquele lugar. Um homem sozinho há tantos anos. Ele ria do que falávamos e me deu uma revista para que eu lesse uma reportagem. Mostrou seus quadros à venda e explicou um por um. Apontei meu favorito e apontei também o fato de que eu não poderia pagar por ele. Ele sentado na cadeira e eu em pé, cercada pelo passado e o presente e por tantos, mas tantos sentimentos. Meu marido ofereceu as condições de pagamento do quadro. Ele fez que sim. E eu chorei, surpresa, pelo quadro e pelo artista abandonado. E ao me ver chorar, me disse: você é uma boa alma.

Sunday, January 30, 2005

Papo de Aranha

Fala pausada, monotônica, assuntos entediantes, histórias repetitivas, teorias sem pé nem cabeça, polêmicas, futebol, Lula, música ruim, doenças, acidentes, meus-filhos-minha-vida, comida e só comida, escatologias, papo furado, dieta, religião somada a tentativas de conversão, trabalho, casos que nunca terminam, gente que não consegue continuar uma conversa, chuva, calor ou frio, conversa de nerd, internet, negativismo, tiques nervosos, né, sabe, entende. Gente contando vantagem, falando de plástica, falando mal do marido (ou da mulher), gente que tem mania de escrever tudo que fala, que responde grosseiramente, que tem sempre a palavra final, que acha que tem sempre razao. Gente que fala sempre nas entrelinhas. Gente escrachada, que fala demais. Gente que bebe e fica chato. Gente que nunca tem novidades, que não fala nada da própria vida. Lamúrias, stress, assuntos entediantes, papo de adolescente, papo de radical, papo de velho chato. Papo de aranha.

Tuesday, January 25, 2005

O Dia

A manhã teria um ar de marasmo e preguiça e a tarde passaria lenta e morna, como num romance de Jorge Amado. Que a noite viria, sem falta, viria, e se tudo desse certo traria consigo um ar refrescante, quase que rejuvenescedor, para nossos corpos. E estaríamos deitados, na grama verde em frente de casa, olhando para o céu cheio de estrelas. Pensaríamos nos anos que se passaram e nos que estão por vir. Nos lembraríamos da família e dos amigos, agora tão distantes mas ao mesmo tão perto dentro de nós. E faríamos conjecturas de como seria se tivéssemos continuado por lá. E sentiríamos saudades. Talvez cairiam lágrimas, algumas lágrimas pela mãe que estaria sozinha em outro continente. O que ela estaria fazendo agora?, nos perguntaríamos.

E ele ficaria sério, como costuma ficar quanto está pensativo. E eu falaria sem parar, moto contínuo, e me lembraria de bons momentos e concluiria que certamente deveríamos voltar para uma visita. E nos convenceríamos de que havíamos feito a escolha certa, apesar de que é sempre difícil saber. Não sentimos falta dos lugares, mas sim das pessoas, diríamos um ao outro. Estaríamos em paz e essa paz transparecería em nossos rostos. Mas teríamos uma dor, também tão aparente quanto a paz, que seria a dor da falta. A falta que tudo nos faz. E a dor de sentir alegria por estar longe de tudo.


Monday, January 24, 2005

Ninho de Mafagafos

No meu ninho de mafagafos, tem dois mafagafinhos que se enroscam e brincam boa parte do tempo em que estão acordados. Se um acorda, o outro acorda também. Se um resolve comer, o outro sente fome. Caso queiram beber água, coincidentemente nunca estão sozinhos. Meus mafagafinhos dormem juntos, empilhados, fofos e peludos. Como são lindos!

Brownie, o mafagafo mais velho, cuja graça pela vida havia passado há tempo e cujo amor era direcionado apenas para humanos, encontrou em seu novo amigo, não só um companheiro de traquinagens mas também alguém para dividir o tédio do dia a dia. Muffin, o adotivo recém-chegado, se integrou à casa e ao novo irmão de tal forma que tornou-se impossível para todos que aqui habitam, imaginar que um dia conseguimos viver sem ele.

Como são lindos meus meninos deitados no chão da cozinha, curtindo o piso fresco nesse dia tão quente! São essas pequenas coisas, muito pequenas mesmo, que me fazem querer continuar. E se eu pulasse da minha varanda, setimo andar, agora mesmo?

Delícia seria não precisar conviver com o cinismo nunca mais. Maravilhoso não ter que ouvir o que tenho ouvido ultimamente. Nunca, nunca mais. Na morte, sei que não encontraria pessoas tão mentirosas. Mas me privar dessa visão que me alegra e me mostra que algo muito bom, seja lá um deus ou o que for, deve de fato existir. Não há nada mais lindo que o meu ninho de mafagafos.

Sunday, January 09, 2005

Todo domingo

Todo domingo durmo até tarde e só acordo quando um furão começa a arranhar a porta da cozinha. Todo domingo tem gosto de preguiça, de almoço especial, de corrida na praça e suco natureba na lanchonete. E todo domingo parece ser mais quente do que os outros dias e sempre penso quem me dera ter uma piscina!

Acontece que ter esse tempo para pensar sempre me leva a uma certa depressão: os grandes enigmas que me rondam noite e dia dia e noite acabam me cercando e me vejo sem saída. Tenho mesmo que meditar, afinal hoje não tenho muito o que fazer, não tenho desculpa nenhuma para me dar, já que nada, nada mesmo - como eu odeio domingos! - precisar ser feito.

Estabeleço, dentro de mim - isso me soa tão louco! - que domingo é dia de relaxar, devo pensar na vida e nas minhas grandes questões assoladoras de alma outro dia. Uma sexta à noite, de chuva, seria perfeita. Ou um sábado de feriado, em que nada abre e me verei ilhada em casa. Aí sim quero ver os defeitos dessa minha vida. Enquanto esses dias perfeitos não vêm, quero curtir a vida a dois e observar o sono quieto dos furões. A guerra entre os dois está acabando aos poucos. Eles brigam quando o novato quer invadir o lugar especial do mais velho no sofá. Mas há pouco encontrei os dois dormindo juntos, nariz com nariz, tão lindos. Ah, a vida é boa e os domingos mais ainda.

Friday, December 31, 2004

Resoluções

São essas as resoluções que farei, correr mais e comer menos, amar mais e falar menos, me dar mais para receber mais, pensar, ler e estudar mais. O pior desse ano que passou são as dores que parecem incuráveis e que presinto, dentro de mim, irão continuar latejando e me fisgando vez ou outra. A dor volta sempre sem que eu queira. Mas o pior já passou, pelo menos é isto que sinto. Talvez este tenha sido um ano transitório, de adaptação. Nunca pensei que a adaptação a esta vida fosse demorar tanto tempo.

São as perspectivas que me fazem viver. E é o amor que recebo e que sinto encher minha casa, que me dão a alegria e um pouco de força para continuar. Daí minha maior resolução para 2005: quero finalmente voltar a ser feliz.

Que a chuva continue caindo, linda, na minha janela, deixando o ar com um maravilhoso cheiro de terra.

Brownie, Muffin e Mi, vocês são tudo para mim.

Feliz Ano Novo.


Thursday, December 02, 2004

Em dezembro chove quase todos os dias. O ceu varia entre azul e cinza. Azul quando esta quente e nao chove e cinza nos dias de meio termo e chuva. Da minha janela vejo o predio da frente e uma fila de cabritos atravessando a rua. Me pergunto onde eles vao, a rua nao tem saida. De repente, como se tivesse levado um soco, vejo que eu tambem nao sei aonde ir. Esses cabritos com certeza tem um destino: algum gramado proximo ou, na pior das hipoteses, a panela de alguem. Alem da morte certa, porem, nao consigo ver ou prever nada para mim. Quero dizer, nada em vida. Me lembro de que sempre fui assim, nunca tive muitos planos, desde crianca. E outro dia mesmo ouvi alguem falando na TV que quem nao tem metas, nao chega a lugar nenhum! Pelo jeito, lugar algum e o meu destino.

Todos sairam e entao fiquei sozinha neste apartamento cheio de livros nao lidos e poeira. E me lembro de como fui feliz aqui e como tudo era tao diferente do que e hoje. E como envelheci e tambem fiquei cheia desse po, assim como tudo em minha volta. Sou alguem diferente presa neste corpo e colada/trancada com cadeados invisiveis a este lugar. Pertenco a um lugar diferente.